Novo nome ‘Praça da Liberdade-Japão’ é criticado por nikkei e defendido por issei

Praça principal do bairro oriental de São Paulo (Foto: São Paulo Shimbun)

Liberdade, que há duas semanas ganhou o adicional “Japão”, trava um embate de opiniões na própria comunidade nikkei. De um lado está o defensor empresário Hirofumi Ikesaki, considerado “prefeito” do bairro, e, de outro, o jovem advogado Renato Igarashi.

Dias após a publicação oficial da alteração “Praça da Liberdade-Japão” no Diário Oficial, o nikkei cri-ticou a sanção do prefeito Bruno Covas por “apagar toda a história de resistência dos negros”. “A Praça da Liberdade (agora Liberdade-Japão), muito antes da chegada da comunidade japonesa, se chamava Largo da Forca, pois era palco de execução de escravos negros fugitivos e condenados à pena de morte. Foi, aliás, por causa de um negro que a praça e o bairro foram chamados de Liberdade. Em 1821, um soldado chamado Chaguinha, condenado à morte por liderar uma rebelião por pagamento de soldo, sobreviveu a duas tentativas de enforcamento, ao que o público atribuía a um milagre e passava a gritar “liberdade” – só foi morto após o carrasco usar um laço de vaqueiro. Chaguinha, então, se tornou um santo padroeiro do bairro e protetor da Capela dos Aflitos, onde esteve antes de ser levado à forca, e da Igreja Santa Cruz dos Enforcados, construída décadas mais tarde em frente à praça”, escreveu Igarashi em sua rede social na Internet.

O texto rapidamente viralizou, sobretudo por ter sido escrito por um nikkei e crítico a um projeto apresentado para homenagear os 110 anos da imigração japonesa no Brasil.

Em entrevista ao São Paulo Shimbun, ele disse surpreso pela proporção que o texto ganhou, “alterando a minha rotina” devido à procura da mídia, e que ficou incomodado com a alteração do nome da Praça da Liberdade. “A Praça tem uma história, que não começou com a imigração japonesa. Quando você muda o nome para um local específico, você dá a dimensão de um local não interétnico, o que pode ser preconceito e xenofobia. Na Liberdade não há só japoneses, mas chineses, coreanos, haitianos… Ao invés de botar (sic) o nome Japão, (deveria) resgatar o que aconteceu naquele lugar, criar uma cultura de direitos humanos”, afirmou o advogado.

Continua…(Impresso)

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